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  • Stenio Moura

O que podemos (e devemos) aprender com "Míster"​ Jorge Jesus para os nossos negócios?


Em primeiro lugar, esse texto não é sobre futebol, mas sobre como uma liderança pode mudar todo um ambiente e fazer com que todos sejam os melhores que podem ser. Nos negócios e na vida.

Quando, há alguns anos, o Flamengo se organizou financeiramente com uma gestão competente e começou a montar um time galático (o meio adora esses termos), uma série de frases (já muito conhecidas do meio também) começaram a surgir como: quem vai segurar tanto medalhão? Quase nunca dá certo time com muita estrela; Quem vai dirigir um time desse sem ter problema de ego? Não vão conseguir colocar tanta gente boa pra jogar e muito "craque" que ficar no banco vai começar a criar um ambiente ruim no grupo.


Enfim, muitas dúvidas foram colocadas e, de fato, muitos treinadores passaram nos últimos anos pelo time de maior torcida do país.

Também, ao longo dos últimos anos, nosso futebol vem se acovardando (aqui é um corinthiano escrevendo) com propostas de jogo que se preocupam mais em não perder do que qualquer tipo de iniciativa e vontade de ganhar.

E eis que em 2019, em meio a inúmeras críticas ao time e confirmações das afirmações acima citadas, chega ao Flamengo "Míster" Jorge Jesus, português que, desde 1990 atua como treinador e que conquistou feitos históricos em sua carreira de gestão como levar o Beleneses de Portugal à final da Taça de Portugal em sua primeira temporada no clube, além dos recordes conquistados dirigindo o Benfica, ganhando 10 títulos em 6 anos e levando o clube a duas finais de Liga Europa.

Ok. Mas o que isso tem de relação com liderança, gestão e negócios? TUDO.


Costumo sempre usar comparações futebolísticas para explicar algumas situações que acontecem no ambiente de trabalho e aí vai a lista de paralelos que podemos traçar no curto período que o português está à frente do time da massa (apenas uma parte, porque poderíamos passar o dia listando aqui comparações - talvez dedique um artigo especificamente para isso em breve).

1- NÃO ACREDITAR NO NOVO


Jesus enfrentou a primeira grande barreira ao chegar no Flamengo que foi o fato do nosso "incontestável" futebol brasileiro ter aversão à estrangeiros, por acharmos que somos os melhores do mundo, sem lembrar que o que nos trouxe até aqui não será o que nos levará para o futuro de glórias que tanto esperamos.


Quantas vezes viramos a cara quando a empresa onde trabalhamos, ou um colega de trabalho propõe algo diferente do que costumamos fazer (mesmo sem dar certo) e já começamos a criar empecilhos e movimentos negativos para que dê errado?


Pode ter certeza que em meio à festa em sua chegada no aeroporto, o "Míster" enfrentou (e enfrentará ainda) bastante desconfiança por não conhecer o futebol brasileiro ou os jogadores, ou que 'aqui é diferente' e não é qualquer estrangeiro que conseguirá vencer.


Lembra quando colocaram uma pessoa, que não tinha um histórico de autoridade no marketing, na sua empresa em um cargo de liderança do departamento de marketing e você começou a espalhar pelos corredores aos colegas ou falar sempre para você mesmo: caramba, mas o cara não entende nada de marketing. O que eles estão fazendo? E, depois de um tempo, essa pessoa entendia de pessoas e como construir um ambiente de confiança para que todos produzissem muito mais.


Claro que Jorge Jesus tinha um histórico de bons trabalhos e relevantes, porém, não era um Tite, um Mourinho, um Abel Braga, um Felipão, e por aí vai...Ele chegou sim com desconfiança.


O que nos trouxe até aqui não será o que nos levará para o futuro de glórias que tanto esperamos.

2- COOPERAÇÃO E VONTADE DE GANHAR


Independentemente da qualidade já comprovada de nomes como Gabriel Barbosa (Gabigol vai!) e Bruno Henrique, os dois eram criticados regularmente no Santos, o que inclusive os fez ter disposição para sair. Tinham atuações irregulares e não produziam o que vêm produzindo.


Aqui vem dois pontos fundamentais.


O primeiro deles o quanto o ambiente e o trabalho em cooperação entre o grupo faz grandes profissionais se destacarem ainda mais. Apesar de isso ser um discurso comum entre treinadores de futebol, essa atitude de grupo não tem tanta diferença se o segundo ponto não for exercido pelo líder sempre.


E o segundo ponto fundamental é que o líder precisa deixar os jogadores arriscarem sem medo. Dentro de um grupo precisa existir a vontade incessante de vencer e NUNCA o medo de perder. O medo por si só já paralisa, já cria uma série de dúvidas. Imagine quando é fomentado pelo líder.


O medo de perder diminui muito a possibilidade de ganhar.


3- OBJETIVO CENTRAL DEFINIDO E PERSISTÊNCIA


Jorge Jesus, colocou objetivos de jogo muito claros aos jogadores e, independentemente do que aconteça ao longo do jogo ou do campeonato eles tem bem claro o que precisam fazer. ou seja, não mudam a postura por uma derrota ou outra,. Contra o Emelec e contra o Bahia, houve críticas e prejuízos. E sabe o que aconteceu? Jesus e seu elenco permanceram firme no objetivo central definido por eles de jogar para vencer independente do resultado.


Quantas vezes você passou por crises onde trabalhava, ou na sua próxima empresa e, por medo do que poderia vir pela frente (principalmente perdas financeiras) recuou do objetivo central e passou a jogar um jogo que não acreditava mas que parecia ser o mais "safe". Pode até ter dado certo no primeiro momento, mas com certeza não se sustentou. Ou você acabou perdendo talentos que sonhavam o seu sonho e acreditavam na sua metodologia de conduzir os negócios, ou sua empresa se tornou um lugar menos inspirador e com baixa retenção de bons negócios e talentos.


Definir um objetivo central para sua equipe, e persistir, faz a diferença.

4- PROFISSIONAIS PROSPERAM E PERFORMAM EM AMBIENTES DE CONFIANÇA


Esse quarto item e o que eu mais gosto entre todos e sempre uso em situações onde um profissional que não performavanada em uma área ou em uma empresa, e quando mudou de área ou empresa passou a dar resultados nunca antes vistos.


É maravilhoso "recuperar" profissionais. Talvez a palavra não seja recuperar, mas sim, colocar no lugar certo, perceber e entender o que aquele profissional tem de melhor e não o que tem de pior (análise comum em feedbacks - você precisa melhorar em tal, tal, tal, tal coisa - e nunca: "você é bom nisso, reforce esse talento e você se diferenciará!"


O caso do Rodrigo Caio é emblemático. Tudo bem que ele já era reconhecido como um bom jogador, mas depois do "Caso Jô" no jogo do Corinthians, onde Rodrigo confessou que foi ele quem pisou na mão do goleiro do São Paulo e não o atacante, (àquela altura, Jô, com o cartão amarelo recebido de forma equivocada, seria suspenso para o segundo jogo das semi-finais), ele ficou totalmente encostado e sem ambiente para jogar no time da capital paulista e foi alvo de inúmeras críticas por ter falado a verdade e agido conforme seus valores e crenças. Se posicionou!


Jorge Jesus não foi o único responsável por tê-lo trazido de volta ao futebol de alto nível, mas com certeza colaborou para que, em um ambiente organizado e de confiança, Rodrigo pudesse jogar em alto nível e liderar o sistema defensivo do Flamengo para que os meio-campistas e atacantes pudesses fazer o que estão fazendo - VOANDO!


Ambientes de segurança e de confiança promovem entregas realmente acima da média.

Provavelmente o Flamengo ganhará o Campeonato Brasileiro e talvez a Libertadores da América em 2019. Se ganhará nos próximos anos, isso o tempo dirá.


Mas o que fica claro é que esse time do Flamengo tem pouquíssimas peças diferentes dos antigos treinadores que passaram por lá nos últimos anos e, o que o português tem feito nesses pouco mais de 3 meses é uma revolução, ou melhor, revelação à todos que acham que o que nos trouxe até aqui é o que nos levará a partir daqui!



Stenio Moura

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