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  • Stenio Moura

Tive até um sonho com isso.


Passei os últimos 5 dias imerso em calls e entregas que precisavam acontecer ou sim ou sim para os clientes e para o negócio da agência que trabalho. Mas quando foi chegando o final da semana, comecei a refletir mais sobre tudo que estamos vivendo.


Não se trata de uma pandemia apenas. E é isso que quer compartilhar. Minha humilde visão sobre tudo isso.


Acredito que, especialmente a geração que faço parte, está vivendo a grande e, talvez a maior, oportunidade de começar a olhar as coisas de forma diferente e refletir sobre o que fizemos até aqui e como queremos sair pós-Corona.


O texto do Nizan Guanaes no UOL me fez tomar a decisão de escrever sobre isso agora, mesmo relutando em colocar opiniões em meio a tantas que recebo por mensagens e por email, e também a tanto noticiário que nos inunda de dados e medo. Porque, definitivamente, quanto mais você se expõe à realidade, com mais medo você fica.

Como católico, vivo durante esse período (em 2020 desde 26 de fevereiro) o Tempo Quaresmal.


E, especificamente nessa Quaresma, resolvi fazer alguns sacrifícios que tentava ano após ano (não somente abrir mão de algumas comidas ou bebidas). Resolvi abrir mão de uma série de comportamentos e atitudes que não cabiam mais, e nunca couberam, para um cristão. E, logo no início desse período estava realmente compromissado a seguir os 40 dias de sacrifício e reflexão, dias que antecedem à Semana Santa.


Quando, de repente, o Covid-19 começou a se espalhar exponencialmente pelo mundo até chegar ao Brasil, onde nesse momento, enquanto escrevo, já são 1.128 casos com 18 mortes confirmadas.


Não quero falar sobre dados ou prognósticos do aumento de infectados e de óbitos, mas sim sobre o que tenho tirado de lição. Talvez possa fazer com que outras pessoas também reflitam sobre tudo que estamos passando. Quero compartilhar a história dos últimos dois dias, que realmente mexeu com a minha alma, exatamente como uma alma precisa ser mexida em um período quaresmal.


Tenho passado todos os dias da semana em uma agenda programada e sistemática, produtividade lá em cima, lendo livros, vendo webinars, consumindo todo tipo de conteúdo para aumentar minha capacidade analítica e de gestão de pessoas e negócios. Tenho mergulhado em conhecimento e, vez ou outra, esquecendo que existem pessoas à minha volta precisando, e muito, de atenção, amor e apoio.


Ontem, sexta-feira, 20 de março de 2020, depois de ter tido um dia cheio de reuniões virtuais e mais decisões importantes, sentei e relaxei para assistir ao filme do Paulo Gustavo, Minha Mãe é uma Peça 3 - Eu e a minha esposa decidimos escolher esse filme porque queríamos algo leve para rir um pouco e tentar tirar a tensão que nos consumiu ao longo da semana (Ela é gerente de marketing de um shopping em, que irá fechar pelos próximos dias, junto com milhares de empreendedores que ficarão sem receita recorrente - está sendo bem pesado para ela também).

Sem spoilers, mas no final do filme há uma lição tão grande sobre amor, cumplicidade, apoio, esperança e fé, que não podia deixar de trazer para essa reflexão.


Fui dormir com o estômago embrulhado, mesmo depois de ter assistido a um filme de comédia. E, advinha. Sonhei que compartilhava essa reflexão sobre a quaresma e a quarentena (mencionada no texto do Nizan), que estamos sendo impostos com o próprio Nizan, e quando acordei, senti que deveria compartilhar esses pensamentos.


A primeira coisa que fiz não foi escrever. Foi agir.


Passei a mão no telefone e mandei mensagem para os meus pais e meus avós. Iria ao supermercado e queria fazer as compras para eles. Sim, parece óbvio, até você ir lá fazer a compra em si. Sinceramente, foi uma das experiências mais inéditas e transformadoras que já vivi.


Primeiro porque vendo as listas de compras, deu pra ver uma série de comportamentos com marcas, que caberia em um artigo inteiro, principalmente em um momento que quase não achei nenhuma das preferências deles, e tive que dizer para a minha mãe: "Mãe, esquece marca agora. Vou comprar o que tem para não faltar pra você." - quem diria um publicitário dizer isso. Mas no final das contas, das marcas que tinham disponíveis, acabei pegando aquelas que tinham melhor reputação e que eu tinha conhecimento.


Segundo porque depois que deixei as compras, tanto nos meus pais como nos meus avós vi que, mesmo eu e você, dando todo o valor às pessoas mais velhas do nosso país, nunca nos colocamos à disposição delas acima de tudo. Ou quase nunca.


Acredite. Há algo maior gritando para nós e implorando para que mudemos. Que olhemos para o outro como sendo prioridade nas nossas vidas. Eu sei que ainda vou tirar muito mais lições desse momento. Duas delas deixo aqui:


1. Valorizar muito mais as pessoas mais velhas com quem convivemos e todas do nosso país. Temos muito o que aprender com elas. Muito mesmo. Especialmente sobre calma, equilíbrio e sabedoria - vejo como eles estão passando por esse período. Com muito menos ansiedade que nós Millennials (imaginem se fôssemos nós o tal grupo de risco).


2. Ajudar as pessoas com o que elas mais precisam - AMOR - e também com a vida prática. Essa experiência com os meus pais e avós me trouxe um senso absurdo de pertencimento e responsabilidade por algo maior.


E já que falei de nós Millennials ao longo do texto, sabe aquele sonho ardente de propósito que estamos buscando há tanto tempo? Pois é, está aí batendo à nossa porta. Chegou a hora de agir.


Stenio Moura

Business Leader

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