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Há 26 anos atrás a música me encontrou. Foi a primeira vez que tive contato com um instrumento musical. Era um piano. Sim, o mesmo piano que ainda está na sala da casa da minha avó, onde minha tia me ensinou as primeiras notas e por onde começaria toda a minha paixão.

 

Daí em diante não parei mais, e fui atrás de aprender tudo que podia. Praticamente disse sim a tudo que era musical que aparecia.

 

4 anos depois do início, surgiu um fenômeno que mudaria totalmente a minha vida e a de muitos jovens daquela época. Surgia e sucumbia, ao mesmo tempo, a banda mais jovem e descontraída de todos os tempos no Brasil, e aquilo me comoveu de tal forma que parei na primeira banca de jornal (sim, na época internet era para poucos) e comprei uma revistinha cifrada com todas as músicas dos Mamonas.

Não sabia tocar violão ainda, mas tinha a sorte de nascer em família de amantes de música e meu pai ter um violão em casa. Um violão dele, que ele tinha aprendido violão clássico quando era jovem. Ele tinha o violão há 35 anos. Adivinha o que aconteceu? Transformei aquele violão no meu melhor amigo. Levava pra cima e pra baixo em viagens com a escola, festas com amigos e reuniões de família. Fui um auto-didata no instrumento.

 

O tempo passou e aos 16 anos já estava eu de bar em bar tocando músicas de todos os estilos. Era muito maluco para as pessoas verem um menino de 16 anos tocar Djavan e Toquinho, e mais maluco ainda, em uma fração de acorde, emendar em 'Have you ever seen the rain', ou até em um pagode do Só Pra Contrariar.

 

Mas o tempo sempre foi um condutor de sentimentos, anseios e buscas na minha vida, e chegou um tempo onde larguei tudo. Larguei porque entendia que a música estava ocupando um lugar diferente dentro de mim, e não era mais para sustento, como havia se tornado entre 2010 e 2012, onde a minha relação com ela se tornou angustiante e tóxica. Seria agora de dentro para fora, usando tudo aquilo que tinha absorvido e transformando em músicas com mensagens de esperança, fé, gratidão e positividade.

 

Aos 30 anos de idade a virada aconteceu. Me vi completamente fora da realidade daquilo que cantava. Não fazia mais sentido compor o que compunha e nem interpretar o mais do mesmo. Precisava de um canto novo, de um canto que saísse do fundo do meu coração e que tocasse o coração das outras pessoas.

 

Mas foi antes, em 2010, que a coisa realmente começou a mudar. Estava assistindo a uma missa, na paróquia que frequento em Santo Amaro, SP-Capital, e uma música falou comigo. Na realidade entendi depois que foi Deus falando comigo, com Seu jeito único e paternal, Se revelando e me chamando a conhecê-lo. A música? 'Quem é esse Deus' - Missionários Shalom, ministrada em um momento de comunhão pelo Ministério que lá tocava aos domingos, e que se tornariam, os membros daquele grupo, grandes amigos de fé.

 

Como que num flash, tudo começou a convergir para músicas com esse tom, de fé e amor, e minhas músicas, antes compostas para retratar, principalmente, a relação entre pessoas, se tornou uma forma para as pessoas se relacionarem com Deus Pai, Filho e Espírito Santo, para se encontrarem com Ele, e para contemplar as belezas do nosso criador, com a presença sempre fiel de Nossa Senhora.

 

De lá para cá, um EP foi gravado, intitulado AUMENTA MINHA FÉ, que foi o começo dessa busca e é até hoje, e que chega agora com o novo trabalho, que por graça de Deus, se chamará O TEMPO.

 

O TEMPO porque desde o início, tudo que me moldou até aqui foi o tempo. O tempo de Deus em cada passo, não o meu. O tempo de conhecer o que tinha lá fora. O tempo de experimentar o que não me preenchia até chegar à verdade plena e absoluta. O tempo de lançar esse trabalho com a maior excelência possível e chegar a mais corações, mostrando o caminho que Deus escolheu para mim, e que escolherá um próprio para cada um. Basta nos abrirmos e esperarmos O TEMPO de Deus.

 

Tem uma frase que gosto muito e que outro dia postei nas minhas redes sociais que é: "Calma, que Deus tá caprichando." E é bem isso. Aprendi que o TEMPO, que para Deus não é como para nós, é a ferramenta que Deus usa para nos preparar, para nos fortalecer, para nos encontrar e para nos certificar de que aquilo que vamos fazer é da Sua vontade.

 

Stenio Moura